18 março 2016

St. Patrick’s Day

O Dia de São Patrício (St. Paddy’s, de agora em diante) é um feriado muito celebrado pelos irlandeses e pelos norte-americanos. Efetua-se no dia 17 de Março (esta Quinta-Feira este ano) e é um feriado conhecido por dois motivos: usa-se muito verde e bebe-se como se do dia do Julgamento Final se tratasse. Do ponto de vista profético, não vemos aqui mal nenhum (mas trocávamos o verde pelo roxo).

O St. Paddy’s day existe como celebração da chegada do cristianismo à Irlanda e como celebração da herança irlandesa. Celebre-se, então, as Guiness e as Bushmills deste mundo, pois sem elas muitas perspetivas da vida não fariam sentido. Para os americanos, este dia celebra-se como um dia que advém a pior ressaca do ano. Mesmo que não celebrem nada em específico, porque foi para isto que se fez o 4 de Julho!


No entanto, com esta vaga “Trumperista” que temos assistido nos recentes meses, seria de esperar que “a grande maioria” dos Americanos não celebrasse este dia, pois é um dia para os imigrantes irlandeses e não para o “Real American”. Mas seria um desperdício não aproveitar o dia para chutar uns anões vestidos de duendes e tentar encontrar o pote d’ouro nas extremidades pélvicas de um qualquer parceiro sexual descartável para a ocasião, pois afinal de contas é disto que os Estados Unidos da América se tratam.

Esperemos só que a mancha verde que se instaurará no St. Paddy’s Day seja sinal de esperança, inteligência e ponderação por parte dos nossos amigos do outro lado do Atlântico para os meses vindouros, e que não fiquem bêbedos até as presidenciais, pois a ultima coisa que espero ver é um “multimilionário” a jogar Sims com as vidas do Mundo. E esperemos que o BA celebre o dia como no ano anterior, até com a cerveja verde, não tem problema nenhum, desde que a comunidade estrangeira de Braga se sinta livre, leve e solta, como no ano passado. Afinal, St. Patrick foi um bom homem (acho eu, sei lá), merece que se celebre a vida dele. E os irlandeses também merecem o nosso agradecimento, porque apesar de um grupo de bêbados, sabem trabalhar bem com o seu malte.

09 março 2016

Reflexão de Merda


Perdoem-me o português mas, quando o assunto é reflexão, são poucas as coisas que a ela se associam melhor que as figuras de estilo. Pensando melhor, não perdoem. Afinal vou continuar a utilizar o defecado para, por utilização das tais figuras de estilo, levar a minha linha de raciocínio para a frente. Refletindo portanto. 

Não vos será estranha a afirmação “Os Homens não se medem aos palmos”. É, além de um ditado popular de moral reconhecida, uma afirmação de simples causa-efeito demonstrando que não se medem os homens utilizando palmos. Existe um sistema melhor, o sistema métrico, que é mais exato e permite medirmos com confiança não só homens como outras coisas mais. É quase universal. E é o quase que me leva a esta reflexão. Este quase que são os Estados Unidos da (Vergonhosa e Capitalista) América.

Do outro lado do Atlântico, os homens medem-se aos pés. RIDÍCULO. E se por cá já vimos que é ridículo ter que deitar uma pessoa no chão para poder contar os passos, por lá um simples pensamento em converter as medições para um sistema lógico e proporcional é um atentado ao “sonho americano”.

Não sei se estão familiarizados com este sonho, mas eu estou. A internet deixa-me fazer download de toneladas de material que o mostram e, por isso, como Profeta, possuo já todo um conhecimento antropológico da sociedade das águias da liberdade (com a sigla SAL, coisa que faz muito mal à saúde). E o sonho é o seguinte:

Cagar mais, maior e melhor que os outros. 
(Sim, estou a utilizar figuras de estilo. Já tinha avisado)

De facto, se há local onde a expressão “Se o meu vizinho tem um cagalhão maior que o meu, então é um homem de muito sucesso, devo confiar nele e eventualmente segui-lo para todo o lado” faz sentido, é na capitalista América. Nada faz uma pessoa seguir outra com mais vontade que um belo troço de 25cm, todo ele recto e nascido de uma só vez. Afinal se os faz assim, é porque o seu Deus o assim quis, e quando Deus quer, Deus tem.

E nada mais importa que o cagalhão. Não importa se é verdadeiro, falso, cirúrgica ou geneticamente alterado, “photoshopado” ou resultado de uma forte ingestão de laxantes. Tem é que ser como a mulher de César: ser ou parecer o maior e melhor cagalhão de todos.


Só assim de explica a facilidade com que este país está disposto a entregar o governo a indivíduos duvidosos. As pessoas olham para a merda que estes indivíduos tão portentosamente ostentam como sendo a maior que já colocaram numa sanita e pensam:

“Se eles conseguem cagam assim, com certeza saberão fazer com que todos caguemos assim. Eu quero cagar assim, é o sonho americano. Make it Happen. Bitch.”


E com este pensamento tão bem fundamentado, poderão fazer aquilo que poderemos chamar de A Maior Cagada Desde Que Os Alemães Acharam Que Tinham O Adolfinho Controlado. Não tinham. E deu merda. Muita merda.

04 março 2016

De Universidade a Fundação: de nós para eles

Caros infiéis, sempre confiasteis na Ordem Profética para vos apontar o caminho e iluminar os perigos que se escondem neste nosso Templo do Saber. A ressaca que não permitiu que fosse mais cedo, mas para a mensagem do Profeta não há hora marcada.

A redefinição da UM enquanto instituição foi um dos momentos mais marcantes dos últimos anos académicos, apenas precedida pelas quartas académicas ou as temíveis semanas do Enterro da Gata. Contudo, e podendo não parecer, há muitas semelhanças entre as Festividades que coroam o falecimento da Gata e esta passagem a Fundação: tal como acontece com os cartazes do Enterro, a reunião que originou esta decisão foi tudo menos consensual. Inevitavelmente, houve quem defendesse esta restruturação, pois quem não se adapta fica sem tacho, e houve quem apoiasse exatamente o contrário (por astúcia ou por birra, ainda por decifrar).

No fundo, todo o processo foi conduzido ao bom estilo capitalista: entre desgovernos e em altura que ninguém note. Pela calada se move o oportunismo de quem quer fazer sem a dificuldade de ter de se explicar. Afinal, depois do falo estar colocado, a dor da entrada é um pouco relativa.


O maior benefício desta passagem a regime fundacional é a facilitação da contratação de pessoal, uma vez que a lei de concurso público deixa de ser aplicada. Além do Jorge Pentes já se ter mostrado disponível para tratar de algumas transferências, espera-se também que ao longo dos próximos anos as secretárias de Rei Tó aumentem exponencialmente. Para bem da comunidade académica, claro! Informação adicional: estudos americanos revelam que a prática do felácio impulsiona a produtividade em ambiente hostil. Os alunos também serão transferíveis, principalmente se der para trocar alunos bolseiros de Santa Tecla pela melhor nata nacional.

Já os três representantes dos estudantes, receando que o lobo mau soprasse e lhes deitasse a casa a baixo, procuraram porto de abrigo e um tacho de onde comer e, bem ao estilo parlamentar português, redigiram e subscreveram uma declaração de voto. Houve afinal um amplo debate no seio (o primo politicamente correto da medicamente correta mama) da comunidade académica, podendo-se assim afirmar que esta passagem seria benéfica. Segundo o dicionário Parreirês – OlivióPalitesco, a verdade desta frase equipara-se à capacidade do Lord Licá para jogar no Barcelona. Mas acalmem-se os preocupados! O Tó, Rei Tó, vai ser avaliado. Curiosamente vai ter também a possibilidade de escolher quem o vai fazer. No fundo, isto é jogar em casa e começar a vencer por 10-0, sendo que o jogo tem duração de 2 segundos. 

Aaah, como um Profeta aprecia estas fábulas. Histórias para um dia contar a um colega quando, aquando das eleições, a moral desta história mais importar recordar.

Já dizia o Profeta:
“Ninguém se importa com o toque rectal, desde que tenha pulseira à pala para o Enterro.”

16 fevereiro 2016

O amor das gordas é mais bonito.


Quem for um utilizador regular do Facebook, já terá observado o fenómeno das fotos de casais, nos quais um do par é um amigo seu e publica na rede social. Dada a proliferação deste tipo de fotos, estas rapidamente se tornam aborrecidas se apenas mostrarem os protagonistas, ou seja, se o local, a descrição ou que estão a fazer não for interessante. Tornam-se então dignas de interesse apenas para as amigas da mulher do casal, que comentarão com elogios e outras frases lisonjeadoras, na esperança de que sejam retribuídos, e mascarando a sua inveja. Poderão porventura os leitores questionarem-se porque está um Profeta a falar de semelhantes banalidades. Ora, como diz o nome da rubrica: “O Profeta Explica”.

Pois há, contudo, umas fotos que me causam uma moderada alegria e que também apenas mostram um casal: as fotos publicadas por gordas. Exemplo: vai um Profeta ao Facebook e depara-se com uma foto publicada por uma conhecida que é, como dizer, fortezinha ou, devo dizer, parece que veste um colete e umas cuecas feitas de banha por baixo da roupa. Na minha mente, eis o que penso: “finalmente!”. Esta rapariga gorda, que até pode ser boa moça, costumava comentar com as amigas o sex appeal de rapazes que elas conheciam, mas sempre de um modo um pouco triste, como se estivesse a falar de um sonho longínquo, pois sabia que não tinha hipóteses. Esta rapariga gorda, que até pode ter um grande coração, nem a última do grupo era, pois não era sequer considerada para potencial par. Esta rapariga gorda, que até pode ter muitas virtudes, já se tinha conformado com a solidão até aos trinta e cinco anos, chegando aos quais a maior parte dos homens entretanto já desistiram de tentar escapar à barriga de cerveja e a sua "cotação no mercado" baixa bastante.

De repente, esta jovem encontrou uma cara-metade (se bem que, tendo em conta a sua opulência, se o par não for de constituição igual será mais uma cara-um-quarto). O seu mundo tornou-se mais colorido: se não for para casar, os seus anos de universidade pelo menos já serão mais alegres; já não terá de tomar o pequeno-almoço sozinha na pastelaria, em vez de duas fatias de bolo pede três e dá meia fatia ao namorado; sentirá (ou voltará a sentir, quem sabe) um prazer que (surpresa!) não vem, ou não tem de vir, da estimulação da boca e do aparelho digestivo. Não precisa mais de pensar em ir ao ginásio (sim, porque ela nunca chegava a ir), dorme melhor sabendo que já não se justifica. Quando vejo uma foto de uma gorda com o namorado, uma gorda que eu conheço, acho comovente. Acho mesmo. “Esta já está despachada”. Mais dois gajos com padrões baixos e as meninas da Tun’ao Minho ficam arrumadas.

O amor de uma gorda é um amor sem ciúmes, pois ela bem sabe que para ser amada só quando o amor é cego mesmo. Ninguém se envolve com uma gorda sofrendo de uma paixão temporária - sofrem é de bebedeira. Uma gorda é uma esforçadinha por natureza, vai dar o seu melhor todos os dias, porque o seu ego é baixo, de tantas pedras que lhe atiraram no recreio da escola, e porque ela sabe que se o sexo com o namorado se tornar monótono facilmente se torna pior do que a punheta e acaba abandonada. Sim, sem dúvida, o amor de uma gorda é o mais bonito, o mais verdadeiro e o mais raro também, pois quase nunca acontece. Mas, quando acontece, ela é capaz de ir até ao fim do mundo para o defender - desde que consiga passar nas ombreiras da porta.