11 fevereiro 2016

25 Tons de Roxo

Fevereiro, o mês do Cio. Ou pelo menos, o mês em que toda a gente admite que está com cio. 

Como se não bastasse, a meio deste mês celebra-se o dia do amor. Entenda-se que este dia é uma desculpa para sair de casa, jantar fora, oferecer presentes à sua cara-metade e postar fotos disso tudo no Instagram para os amigos e amigas solteiros saberem que a sua vida não é tão miserável como a do vizinho do lado (ou pelo menos acharem isso). Para nós, Ordem Profética, o dia de S. Valentim não passa de um embuste capitalista para obrigar os pobres de espirito a esforçarem-se, uma vez ao ano no mínimo, a não ser um casal de mongas e se divertir. Nesta perspetiva, para a Ordem, e tal como o Natal, Passagem de Ano, Carnaval, Páscoa, Velório e 1º de Dezembro: o Dia de S. Valentim é quando o Profeta assim o entender, e isso significa que provavelmente é em qualquer dia da semana, o ano todo (ainda mais provável é ser numa quarta-Feira, mas toda a gente sabe disso já.)


Apesar de admitirmos sermos uns eternos boémios com um líbido equiparável à potência de um G6, não esperem de nós que vos ofereçamos presentes caros e bonitos enquanto vos seduzimos a convidarem-nos para beber mais um copo de vinho no vosso apartamento. Pois o Profeta sabe que os melhores presentes não podem ser comprados. E que melhor presente para oferecer do que o presente da Sodomia? Vocês sabem a resposta...


No entanto o que podem esperar de nós é "life coaching" e diversão, no próximo dia 15 no B.A. de Braga. Porque se como Barney Stinson (não é Profeta mas é um visionário) um dia disse que a noite do dia 13 de Fevereiro seria a "Desperation Night" para os solteiros, nós deduzimos que o dia 15 seria o dia "Hoje estou por tudo". Porque os solteiros não tinham tido ação na noite anterior e como tal estão dispostos a baixar os padrões, facilitando a vida a toda a gente, e os casais sentem-se revitalizados e prontos para mais um ano de monguice, mas excitados o suficiente para se lambuzarem no meio da pista. E além disso, não fosse este também o 25º aniversário desta nobre Ordem, o que significa que os astros e os planetas se alinharam de modo a que tudo seja "destinado a acontecer", este dia 15 é também o primeiro dia da Semana da Euforia que todos os estudantes minhotos tanto aguardaram nos últimos 2 meses, representando esta semana a luz ao fundo do túnel que é a época de recursos. O que todos já sabem o que isto significa... 


Dito isto tudo não se acanhem! A Semana da Euforia, tal como o Enterro da Gata, é uma semana por ano apenas. Não deixem para amanhã a cerveja que podem regurgitar hoje e o pipi que podem lambuzar igual. Abram as festividades connosco (qualquer outra abertura é opcional - e bem vinda) e aqueçam os motores pois a dado momento na festa vão faltar apenas doze horas para o Rally das Tascas, e ninguém quer ir para o Hospital com uma entorse no fígado pois não lubrificou a máquina suficientemente bem. Para quem ainda está em dúvidas sobre esta festa, há uma probabilidade de termos um anão semi-nu a dançar nas colunas, doces e bebida com fartura, há a possibilidade de encontrarem aquele mambo que encontraram há umas quartas atrás mas o negócio ficou apenas a meio e agora querem tentar outra vez, e até os cupidos vão aparecer! Isto só para aqueles que acham a opção "netflix & chill" melhor que uma festa, que já têm um lugar especial reservado no Inferno por serem... wait for it... Mongos. 

04 fevereiro 2016

Remember the Alamo


Este texto que vos escrevo hoje incluirá um momento de história mundial. Acreditem-se na veracidade deste texto, incluído na íntegra no "Index Propheticum" e não disponível na BGUM, pois é o testemunho do Profeta Carlos Ray Norris, um profeta da Revolução Industrial que tal como tantos outros foram para a América em busca de Ouro, Whisky e petróleo barato, na conquista do Oeste. Profeta Norris, conhecido em toda a zona sul americana pelo seu indomável talento em ganhar jogos de póker com apenas dois pares e cortejar donzelas sem ter que lhes pagar mais do que um shot de whisky, esteve presente nesta fatídica batalha. Conto-vos então as palavras dele, tal como ele as diria.

A 23 de Fevereiro de 1836, durante a Revolução Texana, uma ocupação de 13 dias foi feita pelas tropas mexicanas comandadas pelo Presidente General Santa Anna (doravante mencionado como Sant'Anna). Sant'Anna lançou uma ofensiva intitulada de "A Missão do Álamo", para uma zona onde hoje se situa a cidade de San Antonio, no Texas. Sant'Anna, com uma força militar de 1800 homens, lutou contra os beligerantes da República do Texas, liderados por William Travis e James Bowie (não sendo este tio avô do Ziggy Stardust, desenganem-se), que contavam apenas com a força de 260 homens. Durante 10 dias, as tropas de Sant'Anna lutaram contra as tropas Texanas, onde Travis e Bowie não tiveram outra solução se não pedir reforços, em vão, e fazer uma retirada estratégica. Na manhã de 6 de Março, a armada mexicana avançou para a base do Álamo, invadindo-a e dizimando assim 257 texanos, que não conseguiram fazer nada senão perecer às mãos do inimigo. A notícia espalhou-se, e a população juntou-se à armada texana, tanto por ansiedade de combater como por pânico, sendo conhecido este movimento migratório como o "The Runaway Scrape". Esse movimento despoletou um ódio pelos mexicanos num nível tão elevado que comparativamente à propaganda de Donaldo Trumpo sobre os mexicanos quase parece um ciúme de casais, acabando com a invasão mexicana na Batalha de San Jacinto a 21 de Abril de 1836. Essa batalha, findada em apenas 18 minutos, foi vencida pelos texanos liderados pelo General Sam Houston. Antes do inicio da batalha, Sam Houston relembrou os seus soldados da batalha do Álamo e como o Sant'Anna dizimou todos os texanos sem deixar prisioneiros, e que estes lutadores da independência se deviam "relembrar do Álamo". Não havia sobreviventes, apenas a vitória ou a morte eram opções.

Hoje, em pleno 2016, encontramos-nos no mês de Fevereiro, um mês aguardado sempre com grande ansiedade pela comunidade académica, uma vez que esta representa o fim dos exames; o início de um novo semestre; a comemoração dos 180 anos da Batalha do Álamo, e uma eufórica semana que se avizinha. Nós, a Ordem Profética, deixamos aqui um memorando para todos vós: "Remember the Alamo", não deixem prisioneiros como o Sant'Anna fez e vençam esta batalha que é o curso universitário, pois nem a Gata sobreviverá a este semestre (mas voltaremos a este tópico posteriormente). Mas por enquanto, venham divertir-se conosco, convosco, todos juntos e todos nus, nesta ode ao Texas e aos Texanos que celebramos, pois a primeira Quarta-Feira do semestre não pode passar despercebida, e o caos (vulgo, "o Texas") é prometido. E não se preocupem, pois no fim da noite quem paga é o Sant'Anna.

01 fevereiro 2016

Este não é um comentário político

Há um vazio no prime-time nacional e isso deixa-me triste.

Acordo à segunda-feira a pensar naquele livro que não vou ler apenas porque o Doutor mo recomendou na noite anterior. Aquele volume excepcional sobre a milenar história do agripino e da sua importância na economia local da Beira Interior. É um facto que de qualquer forma nunca iria ler esse livro, mas choro por saber que não mo tentou impingir enquanto esperava calmamente por um novo episódio da Quinta. Pesa-me de sobremaneira que, depois de tanto se ter esforçado para não ler todos aqueles livros, não tenha um espaço onde possa dizer: “Olhem para todos estes livros que eu recomendo, não pela qualidade do seu conteúdo, mas pela quantidade da bonificação que eles me geram. Admirem-me pela quantidade de palavras que consigo parecer processar por minuto.”

Ah, Doutor! Qual rolha a sair numa banheira bem cheia, porque decidiu criar este vortex que remove a água quente e logo impedir-me de apreciar as bolhas daquele peidinho pelo qual esperei durante todo o domingo?

Bem sei que os galácticos pertencem ao universo e que aqueles minutos no serão eram diminutos para uma estrela de tal tamanho. Mas as pessoas precisam de si, dos seus livros, da sua aristocracia com aquele quorum brejeiro do povo que demonstra tanto quando opina sobre o orçamento de estado ou sobre o record mundial da maior omelete de enchidos de Ermesinde.

Hoje não vejo televisão ao Domingo. Hoje choro por aquilo que tive e que não mais irei ter. Pelo menos até se decidir falar a nós, o seu povo, os seus portugueses. Ou até nos prendar com uma bela mensagem de Natal e Ano Novo. Serão com certeza momentos memoráveis.

Mas isso não chega. Quero que o Doutor me fale ao domingo. Ligue à sua amiga da televisão e diga-lhe que um Presidente tem que ser Presidente. Ou então peça ao Engenheiro o contacto do pessoal da Venezuela ou ligue para os lados de Alvalade. Se há gente que sabe dar tempo de antena a um presidente são eles. Pode dar aquela ideia de ditadura mas, no final, o Doutor pertence ao seu povo e o seu povo pertence-lhe a si, e ninguém tem o direito de separar o que a TVI uniu. E, além disso, o Doutor sabe que é fotogénico.

07 janeiro 2016

Ainda sou Charlie

Faz hoje um ano que Paris sofreu com os ataques terroristas ao Charlie Hebdo. Depois de três semanas já ninguém quis ser Charlie, mas não é sobre isso que escrevo hoje. Escrevo como francês, como fanático da liberdade de expressão e como membro da Ordem, um admirador de boas sátiras, sejam de que país, formato, religião e cultura que sejam provenientes. Porque Charlie merece ser recordado para sempre, tal como outros que fazem o que Charlie faz, para que nunca nos esqueçamos que foi para isto, também, que se fez o 25 de Abril: ninguém tem o direito de calar ninguém.

A 7 de Janeiro de 2015, numa chuvosa quarta-feira que cá em Braga prometia ser académica, explode o pânico em Paris: fanáticos religiosos guiados por um "Islão" malicioso e obsoleto irrompem pelo nº 10 da Rue Nicolas Appert, em Paris, França, por volta das 11h30 (hora local). No misto de confusão e terror, caem cinco “guerreiros da caneta” - Cabu, Wolinski, Charb, Tignous, Honoré – entre civis e polícias que apenas tiveram o azar de estar presentes no momento errado, no local errado. Isto tudo porquê? Porque uma caricatura de Alá ofendeu certas pessoas. Charlie Hebdo estava então caído, mas não derrotado: na semana seguinte, Charlie publica, inteligente e ironicamente, que “Tout est pardonée”. Tenho a pensar quanto espero que os dois guerreiros de Alá estejam confortáveis no seu Além, rodeados daquilo que foram prometidos: abundância em riqueza e virgens. Caso contrário, foi só realmente jogar Counter-Strike contra bots indefesos, mas na vida real.


Edward Bulwer-Lytton escreveu, em 1839: “the pen is mightier than the sword”, e a ideia principal que Charlie quis transparecer com a sua publicação pós-ataque foi mesmo essa. Mil mortes não podem matar uma ideia ou um ideal, se os que ficam vivos não deixarem morrer a ideia com os caídos. Não é com demonstrações de solidariedade e afeto em público que suportamos e convalescemos ideais liberais sobre a qual grande parte do mundo está sob, e os restantes tanto lutam para obter, mas sim com demonstrações de proatividade e irreverência; nunca se calem, se o que tiverem para dizer é importante. E mesmo que não seja importante não se calem, porque vocês podem. Que nós, Ordem Profética, sejamos uma inspiração para vocês. Nunca nos ouviram calar, nunca nos ouvirão calar, pois só se calam os desinteressados, os desinformados e os eternos vassalos. Como um Profeta um dia disse: “quem se contenta à vassalagem, nunca passará do pequenismo.”

Um ano depois, Charlie continua vivo e de boa saúde. Um ano depois, Charlie não teve medo de se expressar contra o ataque sofrido, de forma inteligente e irreverente como sempre o fizeram: com ilustrações satíricas engraçadas e de bom gosto. Charlie provou, um ano depois, que a liberdade de expressão está viva para quem a quiser.


Que todos sejam Charlie, para sempre, em toda a parte, porque caso contrário estaremos apenas a viver sob a ilusão de liberdade e seremos apenas versões mais vestidas e melhor equipadas dos escravos dos séculos anteriores. E não se esqueçam que não precisam de força para mostrar a vossa ideia, mas sim de inteligência, brio, irreverência, e um toque de classe, que nunca fez mal a ninguém. E se querem melhor exemplo que Charlie, não se esqueçam de olhar para Portugal de 1974, que fez uma revolução com cravos, porque sei que às vezes um exemplo caseirinho é melhor que um exemplo estrangeiro. Ou então os estrangeiros é que são fixes e bons. Como quiserem, fica à vossa escolha.