22 dezembro 2015

A Filha da Putisse Profética

Na última quarta-feira houve festa. Drama, horror, berimbau e açafrão são tudo palavras que vêm no dicionário mas, agora que a poeira assentou, que o Estado já voltou ao bolso dos portugueses, que o novo governo perdeu a maioria, que a celulite está na vanguarda da fotogenia e que ir à falência é sair de bolsos cheios, nós, imbuídos pelo espírito natalício, partilhamos convosco mais uma história de alguém que na primeira pessoa vos conta que ser filho da pu#@ não é o mesmo que filha da putisse, pois, nas palavras de Profeta: nunca voltes ao sitio onde foste feliz, a não ser que esse sitio seja a Cairense.

Hoje, por fim, depois de tantas lágrimas e um coração moído, estrangulado e arrastado pela lama, deixo o meu testemunho. A outra cara do dito Profeta, ou melhor, a cara do Profeta na manhã seguinte à "festa". 
Estando aqui há apenas uns meses, as minhas doutoras foram passando-me alguns ensinamentos que acharam úteis, ensinamentos que eu como caloira me esforço em desobedecer. Uma dessas lições que ouvi mas não respeitei foi a que me levou a escrever para o blogue. Palavras que desde então parecem ecoar na minha cabeça uma e outra vez, cada vez com mais sentido: “tem cuidado com os de roxo, não te aproximes deles, não lhe dês conversa…”. 
Mas a verdade é que eles são loucos e a loucura parece atrair. Eu estava a respeitar o que me fora dito, mas por outro lado as minhas doutoras iam deixando a cara de nojo (que lhes é habitual) e iam começando a soltar-se e a derreter-se, quebrando todas as barreiras que elas tinham levantado. Após alguns copos diminutos de veneno o que antes eram muros agora eram pontes, tudo eram risinhos e encantos o que me levou a pensar “olha estas putas não nos querem a falar com eles mas elas vão todas contentes”. 
Ora, já dizia a minha querida avó que o fruto proibido é o mais apetecido. Passei discretamente pelo meio delas como quem vai pedir ao balcão mais uma dose de elixir bocal e comecei a falar com um. Parecia engraçado, estranho, muito estranho mas engraçado. Chamei as minhas amigas e tiramos juntos uma foto (sim, porque não ia tirar sozinha uma foto com um estranho de roxo, até porque as minhas doutoras matavam-me!). Pensei para mim “está tudo controlado”, mas não estava. O “estranho” chama um amigo, talvez ainda mais estranho mas com um charme como nunca senti, parecia ter uma aura que o fazia brilhar mais que todos os outros. Olhou para mim sorriu e disse: “sabes porque nos chamam profetas?”. Eu, intrigada, respondi que não, ao que ele respondeu tirando os óculos de sol “sabes em que cama vou dormir hoje? Na TUA!”. Eu ri, achei até piada ao atrevimento dele mas afirmei veemente que não seria possível, que não estava interessada, ele riu e foi-se embora. 
Foi a minha primeira mentira da noite, ele tinha razão e ambos sabíamos disso. 
Depois já podem calcular o que aconteceu, procurei por ele a noite toda com o olhar como uma mosquito procura a luz, ele parecia não querer mais saber de mim. Obriguei as minhas amigas a aproximarem-se do grupo dos roxos e a falarem com ele. ERRO COLOSSAL!! Fiquei sem amigas, até as que diziam ter namorado deixaram de ter repentinamente e por uma noite eram livres. Estavam rodeadas por braços proféticos, por indivíduos estranhos e estupidamente bêbados. A verdade é que as invejei, queria estar como elas. Fiquei a olhar de fora e, como truque de magia, ele estava a fazer o mesmo, a observar os amigos dele com um sorriso no rosto enquanto mordia uma palhinha, sempre sem olhar para mim. 
Em jeito de sedução, livrando-me de todas as amarras, comecei a dançar diante dele, da forma que pensara ser mais sensual, e pronto a coisa deu-se. Ele encostou o corpo dele ao meu e um arrepio contínuo correu o meu corpo nesse momento pensei para mim “cumpra-se a profecia”. 
Tudo parecia ser magia, tudo parecia um mar de rosas, música celestial para os meus ouvidos, mas não era. No dia seguinte despediu-se de mim com um beijo seco, livre de paixão ou sentimento e senti-me como um objecto. Um brinquedo inerte nas mãos de alguém. Eu queria mais, queria repetir e sentir-me tua outra vez... Mas nunca mais deixaste. 
“Foi bom em quanto durou”?? Foi, muito bom até. Mas não deves dar tudo de ti se não pensares em voltar onde fomos tão felizes. Já que não me respondes às mensagens como deve ser espero que por aqui eu me consiga fazer ouvir e consiga chegar ao teu coração. 
O sonho, seja ele bom ou mau leva sempre a um acordar, menos para aquelas pessoas que acordam mortas. Sei que parece estranho, mas esta frase que tanto me fez rir no passado hoje cai em mim com um balde de água fria. Para ser sincera cada despertar sem ti, é mais uma manhã que acordo morta por dentro.

19 dezembro 2015

15 tipos de peitos femininos para ficares a conhecer.

Um mito que existe um pouco por todo o mundo, repetido imensas vezes por alturas do Natal, é de que o amor é universal. Que parvoíce, nada poderia estar mais errado. O que é universal, como todos deveriam saber, são as mamas. Garantimos que no dia em que forem descobertas espécies alienígenas, estas também vão possuir nos seus corpos uma região mamária. Confia em nós, somos Profetas. Umas mamas ao léu provocam o mesmo tipo de emoções em homens norte-americanos e chineses. A apalpação de uns belos tetos é capaz de trazer felicidade ao mais desgraçado dos mortais. Um Profeta, já foi dito, aprecia a variedade e não desperdiça a oportunidade de sentir e saber mais. Um Profeta é o herói Prometeu: sempre em busca do fogo do conhecimento (e da paixão). Estabelecemos também desde já uma verdade: todos os peitos femininos são bons peitos (isto é, até deixarem de o ser). Não discriminamos. Em mais um texto da rubrica “O Profeta Explica”, hoje abordamos os diferentes tipos de mamas que existem, todas elas dignas de se colarem autocolantes.


#1. Assimétricas. O corpo humano é, todo ele, composto de assimetria. Com maior ou menor diferença, é uma facto científico que os nossos "lados" não são iguais. Acontece que no que toca a mamas não é diferente. Não é motivo para vergonha. Um Profeta sabe apreciar todos os "defeitos". Escrevemos defeitos entre aspas porque não são defeitos e porque, comparado com o que em certas alturas temos de aturar para podermos apalpar umas mamas, não é realmente nada.

#2. Olhões. São mamas que representam um episódio pré-histórico da Terra: o impacto de um meteorito que alterou drasticamente a atmosfera do planeta e que deixou uma cratera por imensos anos. Ora, esta comparação serve para explicar a dimensão de que falamos quando falamos da mancha circular que são os mamilos grandes numa superfície também curvilínea. Às vezes, são mesmo enormes. E escuros. E têm pêlos. Nhec.

#3. Joelheiras. Como diz o nome, são mamas que protegem os joelhos, por se encontrarem tão flácidas e penduradas que, em caso de queda, é bastante provável a dona destas mamas queixar-se do peito. Como em tudo na Natureza, existe uma explicação: as portadoras destes seios são muitas vezes senhoras de idade (as nossas queridas avós) que, tendo problemas de mobilidade, estão sujeitas a cair. Um bom par de mamas flácidas pode amenizar os danos das quedas, sofrendo o tecido mamário o impacto que poderia fracturar um ou dois joelhos. Sendo este tipo de seios muito comum a partir de uma certa idade, após anos a contrariar a gravidade acabam por perder a batalha, e é observável o bater de mamas nos joelhos enquanto as donas caminham. No caso de conheceres alguma jovem peituda que desprezas, regozija-te ao pensar que, pouco a pouco, ela se irá transformar numa senhora com um par destas, como poderás observar por ti mesmo/a, se entretanto não tiveres um enfarte e não morreres num ataque terrorista.

#4. Amuadas. Cada uma no seu canto. A distância que as separa parece indicar que nenhum genital a passar entre elas vai sentir o seu contacto. Cada uma está muito ocupada a viver a sua vidinha. Que "mamocêntricas"!

#5. Estrábicas. As mamas-camaleão, cujos mamilos apontam em sentidos diferentes e podem confundir o homem comum. Diria a Maya, se tratasse as mamas da mesma forma que trata os signos do zodíaco, que estas revelam uma personalidade indecisa.

#6. Tábua de engomar. Quando não há mamas, não há brincadeira. As portadoras destas "mamas", ou melhor, desta ausência peitoral, terão mais dificuldades no seu percurso, estando sujeitas a estudar mais para tirar boas notas e a serem escolhidas para cargos profissionais apenas pelo seu, imagine-se, mérito! A favor destas mulheres "fanadas", é de realçar que, mais vezes do que as que não, são mulheres magras e elegantes. Nem tudo está perdido! Estas mulheres poderão até ter um atributo posterior notável, cuja vantagem é que a qualidade não é exclusivamente definida pelos genes e pode ser treinada. Hoje falamos de mamas, mas em breve poderemos ensinar-vos acerca dos belos traseiros.

#7. Anãs. São mamas que satisfazem. Só. Não são o pináculo da anatomia humana e da atracção sexual, mas não deixam de ser mamas. Há quem as ache mais atraentes assim pequenas. É tudo uma questão de gostos... E de mamas.

#8. Médias e consistentes. Este tipo de mamas é excelentes, o ideal para muitos homens. São mamas que permitem um manuseamento considerável e, quando cobertas, já criam relevo e possibilitam a existência de um decote. Seios de tamanho médio normalmente pertencem a mulheres em forma e são mamas a favor de um equilíbrio sustentável. Não poderia haver mamas mais actuais!

#9. XXL. São mamas falsamente grandes. Ou melhor, são de grande porte, mas tal se deve pela mesma razão que as donas destas mamas vestem roupas de tamanho XXL. São gordas. Cheiinhas, vá. Estes peitos acumulam gordura que, tornando-os maiores, não é consistente o suficiente para manter as mamas no sítio. São úteis para fotos do Facebook, pois normalmente quando sustidas por um sutiã, parecem mais gostosas e, se a dona não tiver uma cara que denuncie a sua fisionomia, permite-lhe tirar fotos de meio tronco para cima, evidenciando um decote e enganando frequentemente o ingénuo freguês que ao apreciá-las que não compreende que a voluptuosidade de tais apêndices se deve a motivos menos apelativos. São ideais para atletas de natação de alta competição, que conseguem ser abafados por um par destes durante longos minutos sem esticar o pernil entretanto (e não nos referimos ao pernil nº3). No entanto, as suas características em nada impedem de serem usadas com entusiasmo, spanish style!

#10. De ouro. Estes seios grandes e firmes levam os homens à loucura! Amizades se desfizeram, traições aconteceram, reinos acabaram por causa delas. São mamas que falam ao interior de todos os homens. Um homem, em geral, procura por mamas destas toda a vida e sente-se atraído por elas como marinheiros pelo canto das sereias. A portadora de uma prateleira* tem um grande poder sobre a imaginação masculina, especialmente se também tiver uma cara bonita. E com um grande poder… Vem uma grande responsabilidade. Conselho para os homens: aprendam a fazer massagens, porque quem ganhar o jackpot vai ter de compensar estas mulheres aliviando-lhes as dores de costas que de certeza possuem!
*Termo possível para “seios de mulher quando muito desenvolvidos”, de acordo com o Dicionário da Língua Portuguesa (1994), da Porto Editora.



#11. Falsas. Não precisamos de explicar. Um Profeta não julga, pois mamas são mamas. Se são boas as mamas naturais que tremem ao mais leve toque, também são boas as mamas enchidas com silicone que se distinguem pela sua firmeza. Todas nos aprazem. Contudo, quando a cirurgia é mal executada, adquirem algumas marcas pouco apelativas ou formas que são, no mínimo, estranhas. Além disso, ficamos curiosos no caso das raparigas mais novas, pois é difícil imaginar que justificação deram aos pais para desviar dinheiro das propinas para financiar “algo grandioso” como um aumento dos peitos.

#12. Que já não estão. Ou mamas que partiram cedo de mais, porque mamas nunca devem deixar de existir. As mamas deixam de existir porque são retiradas cirurgicamente, por motivos de saúde. Nomeadamente, cancro. É algo que deixa os Profetas de lágrimas nos olhos - não as vítimas de cancro, mas o sacrifício de um belo par de mamas. Se há motivo para chorar, que seja por mamas. Por outro lado, é verdade que desde pequenos que sempre torcemos o nariz a fruta com caroço.

#13. Acusatórias. Têm aqueles mamilos que picam e são capazes de deixar arranhões. São mamas que, de certa forma, são um tributo às mães. Se, por um lado, estão optimizadas para serem sugadas pelos pequenos, também são mamas que facilmente parecem defensivas, pelo modo como apontam sem hesitação os mamilos pontiagudos para todo o lado para que viram.

#14. De grávida. São mamas gordas que parece que vão ter filhos elas mesmo. São também mamas proféticas: anunciam que em tempos vindouros, se não houver um aborto natural ou a mãe não morrer no parto, nascerá um Escolhido que poderá usufrui-las mais do que ninguém.

#15. De período. Os peitos femininos por altura do período tornam-se mais sensíveis e podem até inchar. Esta sensibilidade, ao contrário da que as suas portadoras adquirem pela mesma causa, pode ser positiva. As mamas do período, quando manuseadas com jeitinho, são um meio para atingir um fim: a mulher fica excitada mais rapidamente. Excepto se tiver um ataque de raiva e nos quiser matar, ou desatar a chorar de frustração e se fechar no quarto, ou tiver um desejo inegável, o qual significa que se vai ausentar para ir comprar gelado, o que se acontecer muitas vezes a tornará mais gorda (ver ponto 9). Nada pára a insaciedade de uma mulher.


Outras menções: as mamas-vale, que segundo a mesma análise da Maya indicariam uma personalidade conflituosa ou então que apresentaram o Disney Kids há quinze anos; as joystick, que se caracterizam por serem achatadas e muitas vezes pouco firmes, uma triste memória a melhores dias da constituição física da possuidora, quando esta ainda não perdido vinte quilos a snifar cocaína; as crentes, cujos mamilos apontam sempre para o céu; as siamesas, que devido a razões genéticas não ficaram bem separadas; as mamas-balão, aumentadas tão exageradamente através de cirurgia plástica que se pudessem usufruir dos próprios seios, as mulheres com distúrbios mentais que as possuem poderiam passar oito horas debaixo de água consumindo apenas o oxigénio contido nelas.

Referimos em textos anteriores que apreciamos as mulheres que não se expõem totalmente e deixam lugar à imaginação. Contudo, os Profetas sabem dos problemas que muitas mulheres têm com os sutiãs e o alívio que é quando os tiram ao chegar a casa. Portanto, se preferirem andar sem sutiã por baixo da roupa, é uma medida que acolhemos com bom grado. Claro que, assim sendo, não testemunharão a telecinética dos Profetas, que usamos para que os sutiãs se desapertem sozinhos. Decisões, decisões!

16 dezembro 2015

Jingle Balls - Cheira a Natal!


O frio chegou. E com ele, hibernam animais como esquilos ou morcegos, com o intuito de poupar energia. Mas o mesmo não acontece com outros seres. São disso exemplo as carnes geralmente expostas em talhos famosos, como o Keiminimo. Estas, conhecidas internacionalmente pela sua predisposição enérgica, são imunes às baixas temperaturas e preferem dispender a sua energia em actividades lúdicas como a participação em rodízios em restaurantes brasileiros. Mas não vamos falar de carnes.

Nesta altura do ano avizinha-se o Natal. Esta é uma época festiva que pode ser caracterizada pelo adereço que mais a identifica: o pinheiro natalício. É uma época em que, tal como no pinheiro, temos uma quantidade enorme de bolas e aderecos espalhafatosos que teimam em prender-se ao ramo da árvore. Falo do número elevado de testes e apresentações que, por muito que uma pessoa tente, teimam invariavelmente para resultados semelhantes à ação da resultante gravítica nas bolas do pinheiro. Situadas, na escala, o mais baixo possível (sendo que nem as bolas passam do chão, nem as notas do 0). Temos também um elevado número de luzes natalícias, a piscar intermitentemente , em busca de atenção. Por esta data entramos numa competição de pinheiros, onde o que brilha mais é o melhor. O mesmo acontece em todas as cidades, em que os milhares gastos em estruturas e eletricidade poderiam ter melhor proveito...como a elaboração de uma récita decente.

Por último, e não menos importante, a estrela bem lá no topo. Este é sem dúvida o elemento mais nobre. O elemento que ilumina o caminho, preservando a sua altivez. Nos dias que correm este elemento tem apenas uma comparação.... As festas de Natal da OPUM DEI. Festas elaboradas para proporcionar uma visão iluminada do mundo, entre doses moderadas* de crítica e diversão.  E porque um pinheiro sem estrela não é um pinheiro de natal, é impensável não estar presente hoje à noite, quando o relógio der as onze badaladas, no Grau ZeroH.

Saudações proféticas,
O teu Pai Natal

*moderadas: selvagens; desproporcionais; adequadas.

13 dezembro 2015

Análise Profética do Apocalipse

Neste mundo tão efémero, sortudo é aquele que consegue alcançar a felicidade em momentos do seu percurso, os quais não surgem todos os dias. Este sentimento, que pode ser proporcionado por pessoas, coisas ou acontecimentos, é das melhores coisas que se pode ter na vida e, enquanto Profetas, nós vivemo-lo nas nossas aparições. Poderiam, se soubessem, tão bem invejar-nos por sermos fisicamente bem abençoados ou pelo nosso estilo inconfundível, como pela imensidade de emoções que a Luz Profética nos proporciona. Hoje não vamos falar de "estrabichar pipis", algo que facilmente acontece numa quarta-feira à noite. Hoje falaremos da Récita, da Ordem Profética e de vocês, os estudantes.


Este ano celebrou-se o Primeiro de Dezembro no dia 6. Passassem mais dois dias e ficaria na dúvida se não teríamos actuado em honra da Imaculada Conceição. Neste 1º de Dezembro, imaculada foi a actuação da Ordem Profética, que manteve a sua essência de alegrar e hostilizar - de resto, a Associação mudou o dia por questões de "logística" e o local passou do Theatro Circo para o Parque de Exposições, em que a qualidade de som é muito pior, o palco é muito mais pequeno e, como se não bastasse, o festival começou ao início da tarde, num domingo. Naturalmente, esteve muito menos público do que nos anos anteriores. Em contrapartida, a plateia era de 1200 lugares, bastante maior que a do Theatro Circo, que tem cerca de 900 - tal seria bom porque permitiria à Associação baixar o preço dos bilhetes, o que não aconteceu. Claramente, para a Associação não estão reunidas as condições necessárias para facilitar a adesão a este festival.

Tudo isto foi um desrespeito para com todos os grupos culturais da UM que se esforçaram por proporcionar bons momentos aos estudantes que lá foram e que actuam de graça. Deram-nos, isso sim, uma porcaria de jantar como quem recompensa quem não merece, e nem a finos os Profetas tiveram direito. Finos que também não bebemos no B.A., pois ironicamente o "Bar Académico" encontrava-se, em dia de festival académico, fechado. Salvou-nos a Cairense…


A AAUM pode ter na liderança o Parreira ou a Olivia Palito, o Cabido de Cardeais pode ter à sua frente a Prima dos Bombos ou o McKrillin, o Rei Tó pode ou não morar na reitoria, o B.A. pode até mudar de gerência todos os anos: o que não muda, desde 1991 e à parte um período conturbado em que a censura venceu, é a Ordem estar presente na Récita. A nossa presença é inalienável do que o 1º de Dezembro significa: somos o grupo que representa mais do que nós mesmos, representamos não só a cultura, não só os valores deste acontecimento histórico que celebramos, mas também somos os ÚNICOS a representar aquilo que é VOSSO, de todos os estudantes, numa academia onde pouco ou nada importa “o mexilhão”. Somos sem dúvida um grupo polémico, não o negamos - ninguém pode contudo também negar sermos aquilo que o 1º de Dezembro transmite, essa irreverência que queremos que todos os estudantes manifestem. Poder representar em palco aquilo que muita gente sente, mas não tem capacidade para o fazer ou dizer, dá-nos orgulho. Representar os heróis de 1640 dá-nos orgulho. Sim, porque nós o fazemos, não aproveitamos apenas para promover ou mostrar prémios de um outro festival qualquer.

No futuro, que sejam mais pessoas em palco a lutar por vocês e pelos outros. Numa academia que milhares de alunos frequentam (alguns dos quais matriculados com apenas um cadeira para acabar o curso) e que nos diz tanto, que nos deu tanto, porque não lutar? Porque não ter coragem e apontar o que está mal, deixar de nos coçarmos e que passem a ser aqueles que ditam as regras a coçarem-se? Porquê ir na onda, ser mais um do grupo, ser levado pela inércia? Não, nós não somos assim. Nós somos a Ordem Profética da Universidade do Minho. Num dia que nada significa e em que nada acontece, tirando festivais de tuning ou jogos de futebol, nós estivemos lá. Nós honramos quem, em 1640, lutou por nós, pela nossa independência. Nós honramos quem, em 1974, lutou por nós, pela nossa liberdade. Sim, por nós, por vocês também, para que pudéssemos discutir tudo abertamente desde política ao programa de televisão dos gordos, seja nos bombos ou naquelas tunas que só têm cardeais do mesmo café.

Ainda assim, e com todas as condicionantes, temos Récita, ou vamos tendo. Da maneira como isto anda, para o ano, havendo feriado ou não, seremos limitados a 2 minutos de actuação assistidos por meia dúzia de pessoas. Mas não importa quem manda, não deixaremos que o Primeiro de Dezembro seja relegado ao esquecimento. Porque a Récita somos nós e vocês. Porque ainda que havendo apenas meia dúzia de pessoas para nos ouvir e para acordarem, estaremos lá.

Haverá sempre Récita! Haverá sempre OPUM DEI!

(fotos: Nuno Gonçalves)