13 dezembro 2015

Análise Profética do Apocalipse

Neste mundo tão efémero, sortudo é aquele que consegue alcançar a felicidade em momentos do seu percurso, os quais não surgem todos os dias. Este sentimento, que pode ser proporcionado por pessoas, coisas ou acontecimentos, é das melhores coisas que se pode ter na vida e, enquanto Profetas, nós vivemo-lo nas nossas aparições. Poderiam, se soubessem, tão bem invejar-nos por sermos fisicamente bem abençoados ou pelo nosso estilo inconfundível, como pela imensidade de emoções que a Luz Profética nos proporciona. Hoje não vamos falar de "estrabichar pipis", algo que facilmente acontece numa quarta-feira à noite. Hoje falaremos da Récita, da Ordem Profética e de vocês, os estudantes.


Este ano celebrou-se o Primeiro de Dezembro no dia 6. Passassem mais dois dias e ficaria na dúvida se não teríamos actuado em honra da Imaculada Conceição. Neste 1º de Dezembro, imaculada foi a actuação da Ordem Profética, que manteve a sua essência de alegrar e hostilizar - de resto, a Associação mudou o dia por questões de "logística" e o local passou do Theatro Circo para o Parque de Exposições, em que a qualidade de som é muito pior, o palco é muito mais pequeno e, como se não bastasse, o festival começou ao início da tarde, num domingo. Naturalmente, esteve muito menos público do que nos anos anteriores. Em contrapartida, a plateia era de 1200 lugares, bastante maior que a do Theatro Circo, que tem cerca de 900 - tal seria bom porque permitiria à Associação baixar o preço dos bilhetes, o que não aconteceu. Claramente, para a Associação não estão reunidas as condições necessárias para facilitar a adesão a este festival.

Tudo isto foi um desrespeito para com todos os grupos culturais da UM que se esforçaram por proporcionar bons momentos aos estudantes que lá foram e que actuam de graça. Deram-nos, isso sim, uma porcaria de jantar como quem recompensa quem não merece, e nem a finos os Profetas tiveram direito. Finos que também não bebemos no B.A., pois ironicamente o "Bar Académico" encontrava-se, em dia de festival académico, fechado. Salvou-nos a Cairense…


A AAUM pode ter na liderança o Parreira ou a Olivia Palito, o Cabido de Cardeais pode ter à sua frente a Prima dos Bombos ou o McKrillin, o Rei Tó pode ou não morar na reitoria, o B.A. pode até mudar de gerência todos os anos: o que não muda, desde 1991 e à parte um período conturbado em que a censura venceu, é a Ordem estar presente na Récita. A nossa presença é inalienável do que o 1º de Dezembro significa: somos o grupo que representa mais do que nós mesmos, representamos não só a cultura, não só os valores deste acontecimento histórico que celebramos, mas também somos os ÚNICOS a representar aquilo que é VOSSO, de todos os estudantes, numa academia onde pouco ou nada importa “o mexilhão”. Somos sem dúvida um grupo polémico, não o negamos - ninguém pode contudo também negar sermos aquilo que o 1º de Dezembro transmite, essa irreverência que queremos que todos os estudantes manifestem. Poder representar em palco aquilo que muita gente sente, mas não tem capacidade para o fazer ou dizer, dá-nos orgulho. Representar os heróis de 1640 dá-nos orgulho. Sim, porque nós o fazemos, não aproveitamos apenas para promover ou mostrar prémios de um outro festival qualquer.

No futuro, que sejam mais pessoas em palco a lutar por vocês e pelos outros. Numa academia que milhares de alunos frequentam (alguns dos quais matriculados com apenas um cadeira para acabar o curso) e que nos diz tanto, que nos deu tanto, porque não lutar? Porque não ter coragem e apontar o que está mal, deixar de nos coçarmos e que passem a ser aqueles que ditam as regras a coçarem-se? Porquê ir na onda, ser mais um do grupo, ser levado pela inércia? Não, nós não somos assim. Nós somos a Ordem Profética da Universidade do Minho. Num dia que nada significa e em que nada acontece, tirando festivais de tuning ou jogos de futebol, nós estivemos lá. Nós honramos quem, em 1640, lutou por nós, pela nossa independência. Nós honramos quem, em 1974, lutou por nós, pela nossa liberdade. Sim, por nós, por vocês também, para que pudéssemos discutir tudo abertamente desde política ao programa de televisão dos gordos, seja nos bombos ou naquelas tunas que só têm cardeais do mesmo café.

Ainda assim, e com todas as condicionantes, temos Récita, ou vamos tendo. Da maneira como isto anda, para o ano, havendo feriado ou não, seremos limitados a 2 minutos de actuação assistidos por meia dúzia de pessoas. Mas não importa quem manda, não deixaremos que o Primeiro de Dezembro seja relegado ao esquecimento. Porque a Récita somos nós e vocês. Porque ainda que havendo apenas meia dúzia de pessoas para nos ouvir e para acordarem, estaremos lá.

Haverá sempre Récita! Haverá sempre OPUM DEI!

(fotos: Nuno Gonçalves)

04 dezembro 2015

8 motivos para ires ao Festival da Ordem.

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades. Os estudantes não têm hoje a força que já tiveram: em geral, a um estudante atribuía-se um espírito inconformista, irreverente e de uma resistência inabalável. Os estudantes costumavam sempre ser os primeiros a vir para a rua fazer valer os seus direitos e, claro está, quando algo mudava, era razão para celebrar. Assim o fizeram os estudantes de Braga já em 1640, e consta que foram dos primeiros, quando acabou o domínio filipino em Portugal e o poder voltou às mãos dos Portugueses. Todos os anos os grupos culturais da Universidade do Minho festejam a Restauração da Independência, cada vez mais desvalorizada, ao ponto de já não ser feriado nacional e, este ano, em Braga, já nem se festejar do dia 30 para o dia 1, como era tradição. Todos os anos também, a Ordem Profética faz uma actuação que provoca ansiedade geral e terror ao Reitor e à Associação e, isso, garantimos que se mantém. Poder-se-á até perguntar porque ficou este ano o 1º de Dezembro para depois das eleições académicas...


Num horário digno dos programas do João Baião (como já referimos), profetizamos que uma actuação lendária terá lugar no palco do Parque de Exposições no próximo domingo. Hoje é dia da rubrica “O Profeta Explica” e aproveitamos a oportunidade para te elucidar porque deves colocar que vais no evento do Facebook, e depois compareceres mesmo.

#1. É a celebração de um acto de heroísmo. De um tipo de heroísmo muito particular: aquele heroísmo que nem todos concordam que o seja. É pois um heroísmo polémico. O Primeiro de Dezembro não foi salvar um bebé de uma casa a arder ou resgatar um gato do topo de uma árvore. Foi um acto de derrubar uma força governativa, de reclamar para nós o que é nosso por direito, algo porventura estranho a uma nação que tem sido violada no seu sono. Celebre-se o Primeiro de Dezembro tal como os estudantes o fizeram na rua em 1640! O espírito do Primeiro de Dezembro é aquele do estudante, é uma lição de História para todos nós.

#2. É o nosso festival. Todos o sabem. Se há evento organizado pela Associação Académica que espelha o nosso espírito, é aquele que celebra os acontecimentos da Restauração da Independência. Ouve-nos, testemunha a nossa actuação, convive connosco e, no final, vamos todos defenestrar o Rei Tó na Sé de Braga.

#3. Ainda assim, ironicamente, este evento não deixa de ser organizado pela AAUM. Nós escrevemos piadas, inventamos músicas, fazemos teatros... Incluindo sobre a Associação. Tudo para apresentarmos no festival que esses fascistas organizam, o que torna tudo mais divertido. Pelo menos nós achamos.

#4. A nossa actuação será durante a tarde. Domingo à tarde, tu a stressares porque no dia a seguinte é segunda-feira. O que fazer?! Vai à Récita. Arranja uma companhia, compra os bilhetes, senta-te e espera por nós. Podes passar as actuações todas das tunas na marmelada com o teu par, como preferires, só tens de tomar atenção quando sentires aquele ambiente de nervosismo e expectativa. Aí sim, chegou a nossa vez. Se tiveres filhos adolescentes, leva-os. Evitas a tua primeira sex talk como pai ou mãe, porque as nossas actuações são sempre muito lúdicas no aspecto político mas não só. Se tiveres uma filha com 18 anos ou mais, podes levá-la ao backstage também, nós tomamos conta dela.

#5. O after-Récita é do caralho. E, repara bem, a nossa actuação é à tarde. Significa que o nosso after será longo e cheio de folia. A nossa actuação não será circunscrita ao palco do PEB, estender-se-à para a rua para continuar a comemoração deste grande evento. Vamos tentar não ser acusados de terrorismo, se bem que por essa altura o maior atentado já terá sido concretizado, ainda em palco.

#6. O 1º de Dezembro é um evento de grande produção profética. No último mês do ano, muitas Profecias são reveladas sobre o ano seguinte. A grande concentração de Profetas permite também um maior controlo sobre essa ciência maldita que é a designação do futuro. Não prometemos que saibas se no ano de 2016 vais mais vezes ao ginásio ou se vais ter mais dinheiro para os teus gastos, mas alguma profecia há-de ser proferida entre nós quando já tivermos emborcado uma quantidade de álcool considerável. O que muitas fãs acabam por ouvir é... "Esta noite vais dormir comigo".

#7. Em Maio fazemos 25 anos. Por isso, este ano lectivo está a ser especial para nós. Temos muitos planos até ao nosso aniversário no Enterro da Gata, contem com grandes eventos ao estilo profético numa antecipação muito activa. Um dos eventos em que estamos a investir muito é, naturalmente, no nosso festival.

#8. É uma oportunidade para conviveres com os Profetas. Os membros da Ordem são vários e muitos Profetas certamente levarão uma vida que em alguns aspectos não será diferente da tua: estudam na universidade e tu cruzas-te com eles diversas vezes por semana. Outros talvez nem tanto, ou até nunca no caso de já não estudarem, mas a Ordem é mais do que cada um dos seus membros, e é enquanto colectivo que a magia acontece. Se queres conhecer os Profetas, aparece e vem ter connosco!

   

02 dezembro 2015

Retrospectiva de uma noite tendencialmente (pouco) católica

Todo o estudante minhoto sabe que a noite das iluminações (aquela que antecede a manhã de desilusões das já habituais walk of shame) é, prediletamente, a quarta-feira. Às quartas-feiras, todos os caminhos vão dar aos habituais apeadeiros, sejam eles antros elitistas da badalhoquice, boates minúsculas onde a mote é "um suadouro exaltado" ou ainda casas académicas com quase tanta idade como a Ordem, mas que de académico só tem os contactos com a AAUM, onde ambos os preços do whisky e das quotas de associado são incrivelmente pouco académicos.


No entanto, como é comummente sabido, ser profeta é ser mais alto, e ser mais alto é soltar-se das amarras fascistas impostas pelo senso comum, em que só a quarta-feira é que é passível (e perdoável) de sair. Para a Ordem, o mundo é o seu urinol, e como tal qualquer noite é potencialmente degradante.

Esta é a história de uma ilustre noite, numa lustre terça-feira à noite, onde a promessa seria de um catolicismo exasperado. Como tal, a noite começou n'O Convento, onde a palavra divina foi encontrada no fundo de uma garrafa de um bourbon de eleição. Foi no fundo dessa mesma garrafa que se perdeu a noção, onde voltaria apenas a ser encontrada algures na manhã seguinte, num real aposento (pouco católico) de uma feliz profetizada. Por este momento, é claro que esta garrafa se tornaria, por uma noite, no Santo Graal Profético. Embora este não servisse para recolher o sangue tombado de um Profeta, foi útil para manter os níveis de ácido úrico em alta (e também o libido, embora os dois não se misturassem num cocktail referido habitualmente por "tesão do mijo".)

Uma vez obtida a palavra divina, chegou a hora de profetizar, naquela que, por uma noite, seria o Jardim de Éden Profético. Por mais católica que a noite fosse (ou prometesse ser), desenganem-se aqueles que pensam que, apesar de ser uma Terça-Feira Católica, esta fosse um Mardi Gras.



Ilustremente, a palavra profética foi espalhada com sucesso, e a moral desta história é que cabe a vocês, caros ilustres, a soltarem-se das amarras fascistas. Todos os dias são dias para dar tudo. Enquanto estamos em época semestral, somos todos Livres, Leves e Soltos, mesmo quando o professor diz que têm teste no dia seguinte.

E quando avistarem uma Opa, não se esqueçam de, logo de seguida, pagar finos.

01 dezembro 2015

Amor a um membro da Ordem Profética*

Em dia de inquietude e reverência, abrimos novamente o nosso blog a quem mais gosta de nós. Obrigado a ti que tão bela prosa escreveste. Que os Profetas nunca te ofereçam menos do que aquilo que mereces.

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Muitas são as mulheres de hoje em dia que passam a sua vida insatisfeitas, descontentes, revelam uma repurgação ao amor e generalizam a palavra “porco” a todos os homens, não sendo isto verdade. Muitos são os lamentos “aii ele deixou-me para ficar com outra porca”, “aii o amor é uma merda e agora vou deixar de ser santa”, entre outros. Implorar por amor? Nunca. Deixem que aconteça.
Venho assim aqui, sentindo-me na obrigação, dar-vos uma luz, venho com este testemunho dizer-vos que por vezes não vemos porque não queremos ver. Passo a citar o estranho e entusiasmante acontecimento que mudou a minha visão sobre estes a quem chamamos Profetas.

Tudo começou no BA, era a festa da OPUM DEI, aquela festa tão aguardada, há pessoas que se preparam para ela de um ano para o outro fazendo ginásio intensivamente, onde as hormonas explodem como tantas outras coisas, onde se leva pouca roupa e se traz ainda menos e se anda a beber de corpos de outras pessoas, por estranho que pareça...Não podia faltar! Mal cheguei lembro-me da tamanha euforia com que me deparei, as meninas riam, riam, bebiam, bebiam e “os de roxo” observavam e festejavam alegremente o sucesso da tão vistosa festa. Pareciam-me todos iguais, na verdade haviam lá dois que eram mesmo iguais, mas na minha inocência nunca esperava eu que algum se destacasse, até que aconteceu.

Vi um ser aproximar-se de mim e nem tive tempo de pensar, confesso que me abordou de uma forma um pouco repentina e até bruta digamos, mas com as melhores palavras, as que naquela altura “caíram que nem uma luva” (não me lembro de todas mas sei que tusa pelo menos ouvi). Não conhecia tal figura, nunca tínhamos sequer interagido mas naquele momento pensei “como é que alguém que nunca me viu tem a lata de me dizer estas coisas?” e depois de por instantes refletir um pouco pensei “adorei” e adorei mesmo. Naquele momento tive de tirar o casaco e atar o cabelo com tamanho calor que me deu. Chegou, sorriu, foi carinhoso e charmoso, coisa que não vagueia por aí hoje em dia ao pontapé, olhava-me profundamente nos olhos de cada vez que falava para me elogiar…enfim, era o sonho de homem mas infelizmente o pior acabou por chegar. Por solidariedade feminina tive de acompanhar uma amiga a casa e deixar aquele cenário quente e de fantasia para trás. Foi ao chegar a casa que percebi “isto é amor”, enquanto deitava a cabeça na almofada pensando nele e no quanto me fez rir. E não foi preciso aquela kizomba ranhosa ou aquele roça roça facilitador para tal acontecer. A verdade é que por muito que tente fugir ou disfarçar ainda estou presa ao arrependimento do passado e ao de ter vindo embora…pois aquele meninas, nunca fez ou disse nada que me magoasse, como nós tanto nos queixamos. Aquele “chegou e disse” sem rodeios e sem canalhice, como nós gostamos por isso digo que se há homens que eu aconselho, esses homens estão na Ordem.

E quanto a ti, que serás sempre humildemente apelidado de “aquele” só te posso dizer que queria ter netos só para lhes contar que te conheci!
*Este espaço é totalmente da responsabilidade da interveniente.