30 novembro 2015

Inquietude e Irreverência

Cumpra-se a tradição, desde que haja intenção.
E interesse. 
A Ordem Profética da Universidade do Minho apresenta, como pequena compensação pela ausência do Primeiro de Dezembro a 1 de dezembro, a recordação da nossa apresentação do passado ano de 2014.


Dedicada aos heróis de 1640, a celebração do Primeiro de Dezembro deveria ser, tal como eles, uma demonstração de inquietude e irreverência. Um momento em que se pode ver na face de quem ao palco sobe uma clara vontade de mostrar que é um dia de festa acima dos outros. Um dia que mostramos mais do que mais do mesmo e menos do que estamos repetidamente a mostrar. Mas assim não é.

Hoje o Primeiro de Dezembro é outra coisa.

Hoje é um espectáculo pago. Hoje, tal como sempre, os artistas fazem-no de borla. Porque inquietude e irreverência não custa dinheiro, nem deve custar. Mas hoje não vivemos num mundo de inquietude e irreverência, vivemos num mundo com um orçamento de 5 milhões de euros. E, para o ano, será mais.

Este ano o Primeiro será a 6. Será num domingo. À tarde. Pode não vos parecer estranho. Afinal não há dia na semana mais adequado a estudantes, principalmente os migrantes, para realizar um evento. Toda a comunidade está disponível. Toda a comunidade vai adorar. Só que não... Não vai adorar? Não se pode adorar aquilo que não se presencia, e provavelmente esse será o caso. Mas tudo isto pouco importa para o ónus da questão.

Este ano o Primeiro de Dezembro vai ser o programa de domingo à tarde na televisão em sinal aberto. O plano de negócios (business plan para os snobs) está tão claro como água (que na realidade é transparente) e só falta um João Baião, um par de mamas, chapéus para os transeuntes e um 760 de valor acrescentado para quem vê em casa. Afinal é ao domingo e os idosos adoram ter o que fazer. Vai ser um sucesso. Já consigo visualizar o Baião a bailar com um tuno pandeirinhas e a cantar uma serenata enquanto que pergunta porque é que o chapéu tem três bicos. Já consigo visualizar o fluxo dos 60 cêntimos + IVA a entrar na conta da associação. Já consigo visualizar aquela viagem de trabalho de "3 dias" a Lisboa com uma pequena ligação de 13 dias em Cabo Verde. Afinal somos muito fortes em desporto e temos que fazer tudo pelos nossos atletas. E eu faço tudo muito melhor depois de bronzeado.

Nós iremos estar presentes, como sempre, e iremos retransmitir em "rádio pirata" à posteriori, como habitual. Vamos lá estar para vos alegrar e hostilizar. Porque o Primeiro de Dezembro é para todos, até para a senhora que esperava ver o Toy ou o Grupo Folclórico de Freixo de Espada à Cinta. Porque o Primeiro de Dezembro de 1640 foi para todos os Portugueses, e agora não deve ser diferente.

Primeiro de Dezembro de 2015
Inquietude e Irreverência.
  

27 novembro 2015

A magia das eleições.

Os dias estão cada vez mais frios, mas não é Inverno. O primeiro dia de Dezembro está aí a chegar, mas não é "o" 1º de Dezembro. O festival da OPUM DEI este ano é a 6 de Dezembro, num domingo, culpa da AAUM; este ano inicia-se à tarde, culpa das tunas que têm aparecido como cogumelos e impossibilitam que as atuações sejam todas à noite. Quantas versões diferentes da "Menina Que Estás à Janela" é que é sustentável ouvir antes dos pais dos meninos se começarem a suicidar na plateia? Pela altura em que se ouvir o último "Vai Tuna!" no Parque de Exposições, já as cadeiras do público estarão todas manchadas com os miolos e o sangue da audiência. Falam em ser exigente com o público... Enfim, em mais um texto da rubrica “O Profeta Explica”, hoje abordamos um evento que vai, esse sim, acontecer dia 1: as eleições académicas.

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Sabemos que as eleições estão a chegar quando vemos propaganda nos campi, quando os elementos das listas mudam a sua foto de perfil para imagens de si com sorrisos no rosto e molduras estilizadas, quando de repente existem inúmeras preocupações e assuntos a debater, que ninguém quis saber durante o resto do ano, mas que agora merecem toda a atenção. Pormenores aparentemente aleatórios também anunciam a aproximação de tal evento: as baguetes dos bares são servidas com mais recheio, as portas da BGUM finalmente funcionam em simultâneo e o papel higiénico das casas-de-banho é mais suave. Os estudantes são convidados a expressarem o seu apoio, depositando um papel numa caixa, a alguém que se tenha proposto a tomar as rédeas da Associação e apontar um rumo para o próximo ano. Chama-se a isto democracia. Contudo, este ano, ao contrário dos últimos, só existe um candidato – não há alternativa. Para compreender este acto de eleição, vamos retroceder no tempo.

A Associação Académica nasceu para, entre outras coisas, “defender os interesses dos estudantes”, afirma-se no texto de apresentação que consta no seu site, onde também se refere que “os primeiros dinheiros da Associação Académica foram conseguidos através de um peditório”. Até aqui, muito a Associação e a Ordem têm em comum. Afinal, ambos nasceram com o mesmo objectivo e fazem peditórios (este ano, por exemplo, fizemos para os sírios). Mas que interesses são esses que a Associação defende? Passados quase quarenta anos desde a sua fundação, parece-nos que não serão certamente os mesmos.

O panorama fortemente contestatário do pós-25 de Abril foi substituído por políticas de austeridade e medo, que ameaçam o Ensino Superior e se traduz em desinvestimento do Estado neste sector. Um exemplo claro da desresponsabilização do Estado é a passagem da Universidade do Minho a Fundação, algo pelo qual a reitoria lutava já há vários anos e que aconteceu sem contestação por parte do organismo que se diz defensor dos estudantes. Esta alteração permite que certas empresas possam participar na decisão dos rumos desta nossa Academia, de onde tem de investir e desinvestir, ou seja, na prática, dos moldes e das áreas do conhecimento científico que a Universidade produz. Como pode a Universidade garantir que as decisões tomadas no seu seio têm como objectivo máximo oferecer uma formação de qualidade a todos os estudantes, quando entidades cujo propósito é a obtenção de lucro têm uma palavra a dizer nessas mesmas decisões? Serão os interesses destas empresas superiores aos dos estudantes?


Na visão da Associação Académica, talvez os interesses dos estudantes não sejam a diminuição das propinas, mas sim que a Associação seja conivente com o Rei Tó e os sucessivos governos, que contrariam a Constituição da República Portuguesa, onde se afirma ser responsabilidade do Estado “estabelecer progressivamente a gratuidade de todos os graus de ensino”. Talvez não seja do interesse dos estudantes mais bolsas e apoio social, mas sim que não faltem as grandes festividades, que funcionam muito bem como o equivalente académico de “Fátima e futebol”, e onde ainda nos dão a oportunidade de sermos explorados sem misericórdia com preços exorbitantes. Talvez não seja do interesse dos estudantes que a Associação se preocupe em incentivá-los a serem proactivos e envolverem-se nas suas actividades, mas sim que os dirigentes académicos possam tranquilamente ter almoços e viagens desnecessariamente prolongadas pelo estrangeiro à sua pala. Em verdade te dizemos, não se sabe realmente quais são os interesses dos estudantes, pois o panorama é de conformismo e apatia, votam todos na lista A de Abstenção, o que é conveniente a uma Associação que se sente bem é na cozinha a cuidar dos tachos.

A magia das eleições está na oportunidade que te é concedida de esquecer tudo o que está para trás e acreditar que as mesmas pessoas terão comportamentos diferentes; está na fé que o Rei Tó tem e que, apesar de gordo, o faz sonhar alto e ser carreirista; está no carinho com que te deves recordar da atitude solidária que a Associação teve ao partilhar um almoço com um Primeiro-Ministro que nos escarrou nos diplomas e nos mandou emigrar; está no silêncio mágico da Associação perante a sodomia de que é vítima o Ensino Superior. Inspira fundo, sorri e, se este ano não tiveste direito a bolsa, pensa que talvez te caia alguma coisa na meia de Natal.

26 novembro 2015

Sucessor do Recluso - Um Ano Depois

Vinte e Seis de Novembro de 2015 - Tomada de posse de um novo governo em Portugal. No ano anterior, 2014, aquando da celebração do Primeiro de Dezembro, a Ordem Profética da Universidade do Minho, qual Nostradamus a prever o fim do mundo, descreveu de uma forma bastante precisa o que se iria passar no futuro nacional.

Sucessor do Recluso
(Carta de Costa ao seu amigo Sócrates)

O Sócrates está preso
E eu sei que ele errou
O Sócrates está represo,
O Sócrates está represo,
Pelos erros que praticou.

Mesmo que se porte bem
E deixe de ser intruso
Eu sou e sempre serei,
Eu sou e sempre serei,
Sucessor de um recluso.

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Sócrates estás sofrendo
Nas grades da prisão
Eu até te compreendo,
Até te compreendo,
A luvas não se diz que não.

Cumpres o teu castigo
Roubaste uns milhões
E eu sofro contigo, 
E eu sofro contigo,
Vou pagar nas eleições.

Engenheiro és meu amigo
Não tenhas preconceitos
Sabes que neste mundo,
Tu sabes que neste mundo,
Políticos tiram proveitos.

Sócrates tu regenera-te
E prova que és inocente
Este teu partido espera-te,
Este teu partido espera-te,
Ainda vais ser Presidente!

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25 novembro 2015

Fruto da Cuidadosa Selecção de Pipis

A 1 de Dezembro de 1640, termina o período em que o Reino de Portugal foi submetido ao domínio Espanhol. Teve início com D. Filipe II de Espanha em 1580 e terminou após 60 anos quando o regente de Portugal era D. Filipe IV de Espanha.

Esta penosa situação levou à organização de um movimento conspirador para a recuperação da independência, onde estiveram presentes elementos do clero, reitoria e da nobreza. Um grupo de 40 fidalgos introduz-se no Paço da Ribeira, onde residia a Duquesa de Mântua, representante da coroa espanhola, matam o seu secretário Miguel de Vasconcelos, basicamente tudo o que se mexe, como num filme do Tarantino, e proclamam D. João, Duque de Bragança, Rei de Portugal e dos Portugueses.


Durante os anos seguintes Portugal teve de defender a sua fronteira com todos os homens que tinham condições para combater os rebarbados de Espanha. D. João IV desesperado por restabelecer a paz no seu reino e tranquilizar o seu povo lançou em missão secreta um grupo que na altura ficou conhecido por Prophetae Cuituns Espanholitas.

Os Prophetae, dispostos a assumir o destino de uma nação e a correr riscos para proteger os belos pipis nacionais, fizeram algumas exigências ao seu Rei. Pediram uma nau de 1515 apinhada de vinho do Porto, garrafões de bagaço e uma dúzia de mulheres de sete saias de Viana de Castelo. Já na altura os Prophetae elevavam a fasquia do desafio, ao invés de navegar pelo Tejo fez-se sem receio ao grandioso Atlântico em direcção a Espanha.

Os anos passaram e notícias dos Prophetae não chegavam, em território nacional, temia-se o pior que a missão teria falhado. Porém uma viagem pela Costa Sul de Espanha com tudo incluído e com a descoberta de pipis calientes, ansioso por aconchego profético, é de aproveitar. Surgiu então o grande dilema do século XVII. Qual o pipi que os Prophetae gostam mais? Ora, conhecedores de pipis de todo o território nacional, era altura de descobrir a fundo os pipis de nuestras hermanas.


Percorrida a Costa Sul, não restavam dúvidas. Espanha ainda não estava preparada para receber a expedição Prophetae Cuituns Espanholitas, foram cinco anos a coleccionar pipis e a apostar e criar novas formas lúdicas para las tetas, celebre espanholada. Sevilhanas e restantes sulistas não se contentaram em receber o roxo apenas uma vez e seguiram os Prophetae como se de uma peregrinação se tratasse. 

Perante a batalha carnal, parecida a de uma produção do Sá Leão, que assombrou os poucos Nobres Monhés, Carlos II de Espanha viu-se obrigado a apresentar a sua rendição, de modo a preservar os pipis que ainda pairavam no seu território e não voltar a usar a “la manita”. É no decorrer desta situação foi assinado o Tratado de Lisboa em 1668 que infelizmente proibiu o pipi Espanhol em Portugal e terminou com a expedição. 

De modo a honrar a expedição, todos os anos no 1º de Dezembro nuestras hermanas vêm propositadamente de todo o território espanhol e do Tephane para receber amor profético. Como a Ordem Profética da Universidade do Minho celebra vinte e cinco anos e a AAUM, teve a cortesia de prolongar as festividades do 1º de Dezembro até ao dia 6 de Dezembro, espera-se agora que o BA se encontre fechado durante este período para o rodízio de estimulantes e a habitual suruba espanhola.